sábado, 4 de abril de 2015

ÁLBUM DE ARARAQUARA - 1948


Em 1948 era entregue à cidade o Álbum de Araraquara.
Decorridos décadas, em 2016 a Câmara Municipal, através da Escola do Legislativo e sua equipe brilhante e realizadora - na pessoa de Silvia Gustavo, entregam à população araraquarense a obra digitalizada para pesquisas.







Transcrição do texto



Após uma série inenarrável de dificuldades e obstáculos, chega à luz o ÁLBUM DE ARARAQUARA!

Culpa nos cabe desses obstáculos, pois, haviam-nos precavido de que eles seriam inúmeros, e outros chegaram mesmo a afirmar que tal empreendimento seria inexequível. Quase chegávamos a acreditar que nossos conselheiros estavam com a razão, porém, fizemos ouvido de mercador e não quisemos imitar a tartaruga que, ao encontrar uma pedra em seu caminho encosta-se a ela, esperando que outrem a remova dali.

Sem indecisão atiramo-nos à luta! E esta foi árdua, renhida, cheia de apreensões. Nela empregamos todos os nossos esforços, boa vontade, esperanças, recursos.


(clique sobre a imagem)
Chegamos, enfim, ao término da jornada, colimando com êxito o nosso ousado objetivo, que era o dotar Araraquara de um elemento histórico-ilustrativo, prestando desta forma à Municipalidade local, e consequentemente, ao próprio município, os benefícios decorrentes da divulgação de suas riquezas, de sua capacidade produtora e comercial, de sua cultura, de seus empreendimentos e de sua importância no conjunto das cidades brasileiras. 
O leitor julgará talvez que estejamos exagerando quando nos referimos aos nossos obstáculos, todavia, sabendo-se que não contamos com o apoio material dos poderes públicos e nem com o interesse de participação das propriedades agrícolas, hão de convir o risco de um fracasso em que nos submetemos, quando a situação nos era ainda sombria, as possibilidades de sucesso se nos apresentavam remotas, imprevisíveis, incertas.
Vai daí porque - agora o compreendemos -, depois da execução do primeiro Álbum de Araraquara, de autoria de Antonio M.França e João Silveira, isto em 1915, ou seja, há 33 anos passados, outro não houve que ousasse repetir-lhes o empreendimento, e, aqueles que o tentaram (e foram vários) desistiram do intento, logo ao primeiro contacto com os obstáculos imprevistos, ocultos sob o manto da inexperiência.
Seis meses custou a nossa vitória! Seis meses de trabalho de ininterrupto e uma série de contratempos vencidos com paciência e perseverança.
Esperamos, pois, que tudo isto seja reconhecido pelo leitor inteligente, dando a esta obra o valor que ela merece, mormente em se tratando de assunto que diz respeito à sua própria cidade.
Admire-a, portanto, como o fazeis à tua própria terra, que aprendestes a amar e da qual orgulhas-te de ser filho.
O AUTOR
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O autor Nelson Martins de Almeida, na ocasião, declara as dificuldades encontradas entre a realização do primeiro trabalho editado em 1915 e o de 1948. Entretanto, decorridos os anos entre o primeiro a contar em 100 e o segundo 67, percebemos não haver novas edições, novas atualizações, ainda que avanços tecnológicos se façam presente, percebe-se carência de pessoas que não se atenham aos obstáculos. 

Entretanto, a Câmara Municipal de Araraquara, por meio da Escola do Legislativo empreendeu a digitalização do material e entrega ao público para pesquisas 





Assim, parabenizamos esses empreendedores corajosos,  "ouvidos de mercador" como se expressara Nelson Martins de Almeida nos idos 1948, que realizaram feito magnífico para a cidade. Agradecemos seus realizadores na pessoa de Silvia Gustavo. (06/09/2016)

Inajá Martins de Almeida (filha do autor Nelson Martins de Almeida 1918-2012)
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UM ACRÓSTICO À ARARAQUARA


Altiva,  a natureza a colocara

Risonha, feliz, cheia de luz

A encantadora Araraquara...

Rapsódia que encanta e que seduz!

A ti se curvam tradições gloriosas,

Quimeras de luzes cor de rosas

Ungindo o teu porte de beleza!...

A ti todos são gratos - te confesso -,

Rezando sempre teu progresso

Araraquara... Misteriosa Princesa!





Nelson Martins de Almeida - fev 1948




A elaboração de um trabalho dessa natureza, geralmente denominado “álbum” ou “almanaque”, que era muito comum no passado ( muito embora Araraquara só tenha editado dois, este e aquele de 1.915) objetivava traçar um retrato do momento de sua edição, no que diz respeito às autoridades constituídas, vida política, produção rural, comercial e industrial. Era comum também reviver a história, publicar crônicas, poemas, acrósticos, refletindo a evolução cultural. Este álbum de 1.948 não foge à regra e, assim, apresenta um quadro bastante completo e favorável dessa Araraquara de meados do século XX. 

AUTOR: Nelson Martins de Almeida , redator-produtor do “Álbum de Araraquara”, edição de 1.948, nasceu a 19 de março de 1918, em Araras-SP, na Fazenda Campo Alto, sendo criado em S.Paulo, onde estudou comércio, publicidade, taquigrafia e jornalismo. Aos 19 anos, prestou serviço militar na Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, saindo em outubro de 1938. Foi taquígrafo da Associação Paulista de Medicina e trabalhou em outras empresas. Organizou e publicou várias revistas de engenharia e arquitetura. Chegou a Araraquara em julho de 1.947, com plano de estudar e escrever o histórico da cidade.





Veja mais : http://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com.br/2012/09/album-de-araraquara-1948.html

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domingo, 8 de março de 2015

PROFISSÃO HISTORIADOR - REGULAMENTAÇÃO 03 de março 2015

NOTA DA DIRETORIA DA ANPUH/BR SOBRE A APROVAÇÃO DO PL 4699 PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Prezados(as) associados(as) e colegas,
A última terça-feira, 3 de março de 2015, foi um dia memorável para a ANPUH e para os historiadores brasileiros. A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o PL 4699/2012, de autoria do senador Paulo Paim, que regulamenta a profissão de historiador (quando começou no Senado ele foi registrado como PL 368/2009).

Foi uma vitória de enorme importância. Um prêmio à nossa tenacidade e capacidade de articulação, e também um resultado da mobilização de todos que enviaram mensagens para os deputados manifestando apoio ao projeto. A presença de representantes da diretoria da ANPUH na Câmara foi fundamental para o sucesso, pois, ao conversarmos com várias lideranças partidárias esclarecemos dúvidas e mostramos a justeza da nossa demanda, o que viabilizou a manutenção do PL na pauta da sessão.

No momento da votação em Plenário, foi verdadeiramente um prazer ouvir discursos proferidos por parlamentares de diversos quadrantes políticos exaltando a importância do conhecimento histórico e o papel social dos historiadores. Mais notável ainda foi termos alcançado essa vitória em contexto de grave crise política, que tem ocupado o centro das atenções das lideranças parlamentares.
Não há dúvida que o virtual consenso favorável ao PL 4699 na Câmara dos Deputados deveu-se às negociações que empreendemos para aperfeiçoar o projeto original, o que gerou acordos com outras entidades interessadas no tema (como a Sociedade Brasileira de História da Educação e a Sociedade Brasileira de História da Ciência) e a ampliação do arco de apoiadores.
Neste momento, é importante registrar o nosso reconhecimento a todos os que nos apoiaram na Câmara dos Deputados, em especial os deputados historiadores Pedro Uczai, Alessandro Molon, Chico Alencar e Afonso Florence, e os assessores parlamentares e também historiadores de formação Marcus Antônio Braga, Márcio Pereira e Daniel Lemos, entre outros.
Também agradecemos aos ex-deputados Roberto Policarpo e Fátima Bezerra (atualmente senadora) por seus pareceres favoráveis ao projeto nas comissões da Câmara em que ele tramitou. Igualmente fundamental é prestar homenagem às diretorias anteriores da ANPUH que se empenharam nessa luta, especialmente as gestões presididas por Benito Bisso Schmidt e por Durval Muniz de Albuquerque Junior.
O nosso entusiasmo justifica-se devido às dificuldades que tivemos de vencer para chegar aqui. No entanto, a caminhada ainda não atingiu o objetivo final. A atenção se volta agora para o Senado Federal, que vai apreciar novamente o projeto de lei, e já começamos as articulações com lideranças daquela Casa.
Pelas razões anteriormente apontadas e também pelo fato de o projeto ser originário do Senado, que aprovou o texto apresentado pelo senador Paulo Paim, nossa expectativa é por uma tramitação tranquila. Porém, continuamos atentos e mobilizados.
A etapa seguinte e final do processo, a sanção presidencial, talvez implique desafios mais difíceis. Sabe-se que alguns segmentos do governo não veem com bons olhos as leis de regulamentação profissional, devido à suposição de que significariam “reserva de mercado”.
A resposta que devemos apresentar é semelhante ao que já manifestamos em outras ocasiões: o objetivo não é garantir privilégios, porém, fortalecer a formação profissional e receber o mesmo tratamento legal dispensado a dezenas de outras profissões no Brasil. Interessa-nos, em especial, criar condições legais para a abertura de concursos para o cargo de historiador nos órgãos públicos, o que não tem ocorrido devido à ausência da regulamentação.
Não custa reiterar, mais uma vez, que a aprovação da lei em nada vai alterar a atuação da ANPUH e o seu papel, já que não serão criados conselhos profissionais ou órgãos do gênero. Lembramos, também, que o registro profissional será uma atribuição dos órgãos públicos, e não da ANPUH. Entretanto, certamente esperamos que a lei contribua para o fortalecimento da nossa profissão, bem como para ampliação do mercado de trabalho e maior valorização dos historiadores.
Por isso, achamos que vale a pena seguir em frente, esperando contar com o apoio de todos(as).
Saudações, a Diretoria da ANPUH
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