quarta-feira, 26 de julho de 2017

HOMENAGEM BANDA DE TODAS AS BANDAS

Tribuna do Povo - 22/07/2017 - Thiago Penteado 

O saudosismo tomou conta da Câmara Municipal na noite da última quinta-feira (20) na homenagem dos 40 anos do maior prêmio já conquistado pela Corporação Musical Maestro Francisco Paulo Russo: o 1º Campeonato Nacional de Bandas de Música, realizado em 1977 pelo MEC (Ministério de Educação e Cultural) e Funart (Fundação Nacional das Artes).

Por duas horas, os presentes no Plenário Bruno Moisés Batistella voltaram para o inesquecível julho de 1977, mês da premiação. No ano da premiação a Corporação tinha 35 intregrantes, destes 30 faleceram – os familiares participaram da homenagem – e cinco estão vivos e apenas três compareceram.
A solenidade também foi acompanhada pelos atuais integrantes da Corporação, carinhosamente conhecida como a Banda de Araras. Passado e presente se reencontraram para recordar o fatídico 1977, ano que a Banda foi conclamada “a banda de todas as bandas”.
Entre viúvas, bisnetos, netos e filhos dos músicos já falecidos estavam três heróis que são testemunhas da história: Fernando Antônio Dametto, José Ângelo Francatto e Júlio de Oliveira. “Foi o maior momento das nossas vidas”, disseram.
Cada ex-integrante tem sua história na Banda de Araras. Dametto é de Leme e começou a tocar na Banda da cidade vizinha e recorda que na década de 1950 foi aluno do maestro Ângelo Consentino, que hoje tem seu nome eternizado na Corporação da cidade.
“Quando estava na Banda de Leme fui convidado para tocar na antiga Banda da Escola do Comércio de Araras, onde conheci minha esposa e mudei para cá. Não sei ao certo como entrei na Corporação Maestro Francisco Paulo Russo, mas fiquei por 32 anos”, conta Dametto, que tocava bombardino – instrumento responsável pelo contra ponto entre os músicos.
Outro ex-integrante é Ângelo Francatto e este teve vida longa na Banda: 60 anos no total tocando bateria e prato. “Além da Banda eu tocava em Orquestra e foi um período que nunca mais vou esquecer”, revela.
Na lista também tem o limeirense Júlio de Oliveira. “Aos 14 anos comecei a tocar clarinete na Corporação Musicar Arthur Giambelli (a Banda de Limeira), depois passei em exame na Escola de Formação de Cadetes de Campinas e fiquei por quatro anos. De 1968 a 1972 fui para Pirassununga e participei da Banda da Aeronáutica, até chegar à Araras”, relata.
Nota 10 nas fases regional, estadual e nacional
Os músicos contam que o caminho foi longo antes da conquista do prêmio nacional. “Nossos ensaios eram sempre das terças às quintas-feiras e depois passaram de segunda a segunda. Sem preparação e dedicação o prêmio não teria sido conquistado”, enfatiza Dametto.
Francatto detalha que a Banda de Araras ganhou todas as fases com nota 10. “Nos apresentamos em várias cidades até chegar ao Rio de Janeiro na Rede Globo, onde aconteceu a final”, recorda. “A final regional foi em Limeira”, emenda Júlio.
Os músicos recordam que a cada apresentação brincavam com maestro Alfredo Alexandre Pelegatta sobre a posição. “A gente dizia que o quinto lugar estava garantido e ele ficava louco”, recordam.
Todos os integrantes permaneceram durante um mês no Rio de Janeiro até o grande dia da apresentação nos estúdios da Rede Globo, transmitida em cadeia nacional. “Tinha banda de todos os Estados do Brasil”, fala Dametto e que cita as músicas tocadas na fase final da competição: Mendigos, Valquíria e Espírito Nordestino.
O primeiro lugar foi disputado com a Banda do Cabo, da cidade de Recife, capital do Estado de Pernambuco. “Eles tinham membros do exército e da sociedade civil e era uma banda enorme, dava medo”, recorda Francatto.
Mas, assim que a Banda de Araras encerrou sua apresentação, os músicos da banda concorrente saíram das cadeiras do auditório e correram abraçar os músicos de Araras. “Eles diziam que o prêmio era nosso”, disse Júlio com a voz embargada pela emoção e com os olhos em lágrimas. “Até hoje choro de emoção daquele dia”.
A vitória foi confirmada com as notas dos jurados. “Foi uma atrás do outro Araras nota 10, 10, 10. Até que o último jurado anunciou Araras nota 10 e Banda do Cabo nota nove. Caímos em lágrimas e alegria”, relembra Dametto.
Banda foi recebida e aplaudida por 15 mil pessoas em Brasília
O reconhecimento não parou no Rio de Janeiro e a Banda foi para Brasília/DF para apresentação especial para o então presidente da República Ernesto Geisel. “A apresentação foi em conjunto com outras quatro finalistas do concurso e aconteceu no ginásio de Brasília. Fomos aplaudidos em pé por mais de 15 mil pessoas e as cinco bandas tocaram o hino nacional juntas. Depois, recebemos o prêmio das mãos do presidente Geisel”, relata Dametto.
A chegada em Araras teve ainda mais emoção e a cidade parou no dia. Os heróis foram recebidos pelo caminhão do Corpo de Bombeiros em frente da Clínica Antonio Luiz Sayão e percorreram a Avenida Padre Alarico Zacharias. “A população nos acompanhou durante todo o trajeto e sempre em festa. Eram gritos e aplausos e a comemoração durou horas”, disse Júlio.
“O pessoal pediu autógrafo e começamos a receber convites para tocar em todas as cidades do Estado”, recorda Dametto. “Nunca mais esquecerei de 1977”, disse Francatto sobre o ano que a Corporação Maestro Francisco Paulo Russo ficou conhecida como a banda de todas bandas.
Músicos homenageados
Vivos
Hugo Tadeu Montagnolli, José Ângelo Francatto, Fernando Antônio Dametto, Luiz Carlos Morgili e Júlio de Oliveira
Falecidos
Abel Antônio da Silva, Arlindo Cressoni, Odair Alves Isidoro, Paulo Norberto de Castro, Avelino Brufato, Ariel Alves de Oliveira, Carlos Viganó, Dorival Burger, Elias Alves da Cruz, Hugo Montagnolli Junior, Wilson Rodrigues de Almeida, Antônio Squissato, Ely Montagnolli, Fioravante Evangelista, José da Luz, Luiz Carlos Caramello, Walter Francisco Bragança, João Moreira de Campos, José Donatti, José Franco, Milton Fabre, Oswaldo Aparecido Burger, Lucindo de Souza, Mário Silva, Natalino Montagnolli, Ademir Alves, Otávio Mariano, Benedito Aparecido Ribeiro, Joaquim dos Santos e o maestro Alfredo Alexandre Pelegatta.

assista :

http://www.tribunadopovo.com.br/emocao-marca-homenagem-para-banda-de-todas-as-bandas/

HOMENAGENS 40 ANOS DA CONQUISTA NACIONAL EM FOTOS









BANDA HOMENAGENS 2017

Banda Maestro Francisco Paulo Russo recebe homenagem na
 Câmara Municipal de Araras, SP


22 de julho de 2017 / Beto Ribeiro 

Com uma performance arrasadora na decisão, a banda de Araras, representando o Estado de São Paulo; regida pelo maestro Alfredo Alexandre Pelegatta, ficou com o título apresentando as músicas: Bento Barbosa de Brito, Velho Tião e Os Mendigos. Em todas as apresentações a nota foi máxima.


Após a conquista, os integrantes da Banda “Maestro Francisco Paulo Russo”, seguiram pra Brasília, onde fizeram uma apresentação no Ginásio de Esportes Presidente Médici, para um público de 15 mil pessoas e o presidente da República, na época, o general Ernesto Geisel. Na ocasião, o maestro Pelegatta recebeu das mãos do general, o troféu Paulo Roberto, da Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Ensino. Dos 35 músicos integrantes da banda campeã em 1977, apenas cinco estão vivos, Hugo Tadeu Montagnolli, José Ângelo Francatto, Fernando Antônio Dametto, Luiz Carlos Morgili e Júlio de Oliveira.
fonte:

http://reporterbetoribeiro.com.br/b2/2017/07/22/banda-maestro-francisco-paulo-russo-recebe-homenagem-na-camara-municipal-de-araras-sp/

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BANDA MAESTRO FRANCISCO PAULO RUSSO RECEBE HOMENAGEM DA CÂMARA

A Câmara Municipal de Araras, homenageou a Banda Maestro Francisco Paulo Russo, pelos 40 anos da conquista do 1º lugar no Campeonato Nacional de Bandas de Música, realizado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) e FUNARTE (Fundação Nacional das Artes), na sede da Rede Globo de Televisão, no Rio de Janeiro. Em todas as fases classificatórias, a banda ararense foi agraciada com a nota máxima, chegando a final do evento. Na final, os músicos de Araras disputaram com outras três bandas tradicionais do Brasil: uma da Bahia, uma de Pernambuco e a outra de Minas Gerais.

Com uma performance arrasadora na decisão, a banda de Araras, representando o Estado de São Paulo; regida pelo maestro Alfredo Alexandre Pelegatta, ficou com o título apresentando as músicas: Bento Barbosa de Brito, Velho Tião e Os Mendigos. Em todas as apresentações a nota foi máxima.

Após a conquista, os integrantes da Banda “Maestro Francisco Paulo Russo”, seguiram pra Brasília, onde fizeram uma apresentação no Ginásio de Esportes Presidente Médici, para um público de 15 mil pessoas e o presidente da República, na época, o general Ernesto Geisel. Na ocasião, o maestro Pelegatta recebeu das mãos do general, o troféu Paulo Roberto, da Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Ensino. Dos 35 músicos integrantes da banda campeã em 1977, apenas cinco estão vivos, Hugo Tadeu Montagnolli, José Ângelo Francatto, Fernando Antônio Dametto, Luiz Carlos Morgili e Júlio de Oliveira. 


https://www.youtube.com/watch?v=7qaA6JfTrC0&feature=youtu.be
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assista também:

https://www.youtube.com/watch?v=XypG2EAsuIM


sábado, 22 de julho de 2017

BANDA MAESTRO FRANCISCO PAULO RUSSO - HOMENAGEM CÂMARA ARARAS

Na noite do dia 20 de julho de 2017, a Câmara Municipal de Araras prestou belíssima homenagem aos músicos e familiares dos vencedores da Banda Campeã Nacional de 1977.

Quarenta anos de conquista da premiação. Duas horas de pura emoção e muita música. Momentos podem ser acompanhados através do link
 

https://www.youtube.com/watch?v=7qaA6JfTrC0



TV OPINIÃO ENTREVISTA - ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS


No dia 12 de julho de 2017, a TV Opinião em seu canal para a cidade de Araras e região, levou ao ar entrevista de Lucas Neri, com as co-autoras do Álbum das Bandas de Araras.


Trinta minutos de envolvimento histórico/cultural em que os telespectadores puderam acompanhar vasto material sobre aquele que já pode ser considerado como o documentário histórico o mais completo sobre as bandas (corporações musicais) na cidade de Araras.

A entrevista fora coroada por diálogos interessantes em que o apresentador fora extremamente inspirado quando referencia as entrevistadas e co-autoras do Álbum das Bandas, como as "Filhas da História".

O lançamento acontecerá no dia 26 de agosto as 19h30, na Biblioteca Municipal de Araras.


Muito bom o momento. Acompanhe...





https://www.facebook.com/opiniaotv/videos/468666736830489/?hc_ref=ARTMquPJf40l10z5hj-_FM4t-sZIahnQ7GPcVyeiZx_0KeA7aoxyRtV2LWT_E0iGRzc&pnref=story



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postagem Inajá Martins de Almeida


domingo, 16 de julho de 2017

CORPORAÇÃO MUSICAL "MAESTRO FRANCISCO PAULO RUSSO" - homenagem




O mês de julho ficará para sempre na memória dos ararenses, especialmente os apreciadores de uma boa música e os apaixonados pela rica história do município. É que neste ano de 2017 a Corporação Musical “Maestro Francisco Paulo Russo” de Araras comemora 40 anos do 1º Campeonato Nacional de Bandas de Música realizado pelo MEC (Ministério de Educação e Cultura) e FUNART (Fundação Nacional das Artes) realizado na sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro, em 1977.


Em razão deste feito histórico, a Câmara Municipal de Araras, por solicitação do presidente do Poder Legislativo, o vereador Pedro Eliseu Sobrinho, prestará uma homenagem aos integrantes vivos da banda e aos familiares dos demais, em sessão solene, no dia 20 de julho, no plenário Bruno Moysés Batistela.
Desde 1879, Araras sempre teve Bandas tradicionais, que fizeram sucesso e a alegria da população ararense. Em 1905 o maestro Pusoni criou a Banda Carlos Gomes que passou a ser regida pelo Maestro Francisco Paulo Russo. Essa banda foi considerada a melhor do interior paulista.


Em 1922 participou das comemorações do Centenário da Independência do Brasil em São Paulo. Nessa ocasião o maestro Paulo Russo conquistou o 1º lugar na classificação geral das Bandas e recebeu do povo de Araras uma batuta de ébano e ouro em reconhecimento. Após 1930, a Banda contou com a regência dos maestros Hugo Montagnolli, Barbosa de Brito e Benedito de Moraes.  

Em 1971, com o apoio da Prefeitura Municipal de Araras, a Corporação Musical foi reorganizada e assumiu então a regência o Maestro Alfredo Pelegatta. Foram muitos títulos conquistados até 1976, quando sagrou-se campeã estadual do concurso de bandas, promovido pela Secretaria de Promoção Social do Estado de São Paulo, passando então a concorrer ao título de banda campeã nacional no ano seguinte.
Em 1977, teve início o 1º Campeonato Nacional de Bandas, promovido pelo MEC – Ministério de Educação e Cultura e Funart – Fundação Nacional de Artes – quando a Corporação participou de três eliminatórias que foram gravadas nos estúdios da Rede Globo no Rio de Janeiro.
A banda ararense participou com as músicas Walkiria, Suíte Nordestina, Newton, Num Mercado Persa, Moça/Progresso, Hei de Vencer, Cantos Nordestinos e Seleção nº 1. Em todas as apresentações a Corporação foi agraciada com a nota máxima.
Na final, conseguiu o feito histórico ao conquistar o título derrotando na final bandas tradicionais da Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. A banda ararense apresentou as músicas Bento Barbosa de Brito, Velho Titão e Os Mendigos, recebendo nota 10 de todos os jurados presentes no evento.
Após a conquista, os integrantes da banda “Maestro Francisco Paulo Russo” seguiram para Brasília onde fez uma apresentação no Ginásio de Esportes Presidente Médici, emocionando um público de mais de 15 mil pessoas presentes no evento, inclusive o excelentíssimo presidente da República na época, o General Ernesto Geisel e outras autoridades. Na oportunidade o Maestro Alfredo Alexandre Pelegatta recebeu das mãos do então presidente, o troféu Paulo Roberto da Sociedade Brasileira de Artes, Cultura e Ensino.

Após todas essas conquistas, a banda foi recebida em Araras com muita festa e alegria, desfilando em carro aberto pelas ruas centrais da cidade.
Em 1993 a Corporação teve a regência do maestro Luiz Carlos Morgili. Em 1994 assumiu o Maestro Marco Antônio Melinski, que ainda comanda a Orquestra de Sopros de Araras “Maestro Francisco Paulo Russo”, que conquistou títulos importantes nos anos de 1996, 97, 98, 99 e 2000. Em 2005 conquistou o 1º lugar no concurso de bandas “Zequinha de Abreu” na cidade de Santa Rita do Passa Quatro.
Livro sobre a Banda
A história da Corporação Musical “Maestro Francisco Paulo Russo” estará estampada nas páginas do livro “Álbum das Bandas de Araras”. A obra é de autoria do historiador Nelson Martins de Almeida, que faleceu em 2012, aos 94 anos e que está sendo concluída pelas coautoras e primas, em parentesco familiar, Inajá Martins de Almeida (filha do Historiador) e Matilde Aparecida Salviatto Viganó (filha do músico da Banda Carlos Viganó).
Os integrantes da Banda premiada em 1977
Dos 35 músicos integrantes da banda campeã do Primeiro Festival de Bandas realizado pelo MEC/ Funart no Rio de Janeiro em 1977, apenas cinco estão vivos, Hugo Tadeu Montagnolli, José Ângelo Francatto, Fernando Antônio Dametto, Luiz Carlos Morgili e Júlio de Oliveira.
Os demais músicos já faleceram, Abel Antônio da Silva, Arlindo Cressoni, Odair Alves Isidoro, Paulo Norberto de Castro, Avelino Brufato, Ariel Alves de Oliveira, Carlos Viganó, Dorival Burger, Elias Alves da Cruz, Hugo Montagnolli Junior, Wilson Rodrigues de Almeida, Antônio Squissato, Ely Montagnolli, Fioravante Evangelista, José da Luz, Luiz Carlos Caramello, Walter Francisco Bragança, João Moreira de Campos, José Donatti, José Franco, Milton Fabre, Oswaldo Aparecido Burger, Lucindo de Souza, Mário Silva, Natalino Montagnolli, Ademir Alves, Otávio Mariano, Benedito Aparecido Ribeiro, Joaquim dos Santos e o maestro Alfredo Alexandre Pelegatta. 

BANDA DE TODAS AS BANDAS - 40 ANOS DA CONQUISTA NACIONAL

Belíssima homenagem da Câmara Municipal de Araras, por meio do seu presidente Pedro Eliseu, dedica aos músicos em dias atuais presente em atividades e aos familiares dos que partiram e deixaram legado que se pode contar e escrever.

O Jornal Tribuna do Povo, em sua edição de 15/07/2017, dedica reportagem fazendo reviver aquele tempo festivo para os músicos e para a sociedade ararense, quando resgata a edição de 3 de julho de 1977.

Quarenta anos de conquista. Quarenta anos de história, de premiações, de registros que se querem e fazem registrar. Quarenta anos que se multiplicarão com o tempo vindouro. Quarenta anos multiplicados que ainda estarão por ser contados.  

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O texto faz menção ao Álbum das Bandas de Araras, que estará disponível à sociedade ararense a partir do dia 26 de agosto de 2017.






sexta-feira, 14 de julho de 2017

ÁLBUM DAS BANDAS DE ARARAS

LIVRO CONTA HISTÓRIA DAS BANDAS DE ARARAS

Inajá Martins de Almeida - 
artigo publicado na Tribuna do Povo em 29/04/2017 - caderno Espaço Arte

2017 - No ano em que a Corporação Musical “Maestro Francisco Paulo Russo” comemora 40 anos de sua conquista máxima – Campeã Nacional em Concurso de Bandas / 1977 – a municipalidade ararense é premiada com a edição do Documentário Histórico das Bandas de Araras, o mais completo Álbum editado, dentro do município.
Nelson Martins de Almeida – Historiador – editor do Álbum de Araras em 1949, novamente se faz presente. Falecido em 2012, aos 94 anos, deixa o Álbum, e a maior parte do seu conteúdo.

Previamente esboçado, sete capítulos, como sete notas musicais que, em sons melódicos e harmônicos compõe uma sinfonia, é o Álbum das Bandas a delimitar os primórdios das primeiras manifestações musicais no final do século XIX, numa sequência cronológica a partir de 1879. 

As primeiras décadas do século XX se vêem envolvidas por fatos marcantes que a História registraria. Era o ano de 1922. Os festejos do centenário da Independência do Brasil levariam

o Maestro Francisco Paulo Russo e sua Corporação Musical Carlos Gomes conquistar o primeiro prêmio para Araras, competindo com outras bandas na capital paulista.  

As décadas se compõem; os registros guardam informações sobre os anos que antecedem a grande premiação. Agora no cenário o Maestro Francisco Paulo Russo cede a batuta ao seu discípulo Maestro Alfredo Alexandre Pelegatta, que, em momento algum lhe trairia a entrega.

Os capítulos, são eles que se harmonizam, registram a história de cento e trinta e seis anos de manifestações bandísticas na cidade, apontam Bandas, Conjuntos e Orquestras através dos tempos. Conquistas, premiações e homenagens adentram o cenário quando a referenciar maestros que para Araras conquistaram títulos: Francisco Paulo Russo em 1922 e Pelegatta em 1977; músicos homenageados pela conquista máxima, pelos anos em atividade; músicos em atividade.
  
A contar a criação e entrega da Lira, em praça pública, em 1980, quando a homenagem se fez de todos os munícipes aos músicos que de forma tão brilhante, receberam da crítica musical os mais elogiosos comentários. E como é bom rememorar:

- “Capacidade de domínio instrumental”, dizia Alceu Boschino;

- ”Maior nível técnico em banda que se viu no Brasil... É realmente uma sinfônica”, desta vez o Maestro Julio Medaglia.

E seguimos. Compassados, ritmados seus capítulos e eis que somos surpreendidos por fragmentos biográficos dos maestros eméritos que elevaram Araras a patamares nacionais – Francisco Paulo Russo (1922), Alfredo Alexandre Pelegatta (1977); músicos inspirados e inspiradores como o foram Hugo Montagnolli e família, Luiz Carlos Morgili, José Barbosa de Brito, Carlos Viganó e Marco Antonio Meliscki  que, jovem, reconhece a conquista do campeonato nacional, ingressa na corporação, sem imaginar que o futuro lhe reservaria a batuta. Ademais, sua jovialidade, modernidade e profundo conhecimento e comprometimento musical configura a Banda caráter orquestral e a transforma em Orquestra de Sopros Maestro Francisco Paulo Russo.

Antonio Carlos Gomes que durante longo período emprestara o nome a Corporação em município ararense não se faz esquecido pelo autor/historiador, quando dos apontamentos; como Corporação Musical “Carlos Gomes”, sagra-se campeã na capital paulista, nas festividades em 1922.  

Assim é que o Álbum das Bandas de Araras pode ser dividido em duas fases: a primeira entre 1879 até 1977; a segunda, os anos que seguiram o pós-campeonato nacional até a configuração da Banda a se transformar em Orquestra de Sopros de Araras “Maestro Francisco Paulo Russo” em 2013.

As organizadoras, co-autoras e primas, em parentesco familiar, Inajá Martins de Almeida (filha do Historiador) e Matilde Ap.Salviatto Viganó (filha do músico Carlos Viganó), decorridos os anos entre a conquista e a atualidade, puderam avançar em pesquisas, entrevistas, fotos, fatos curiosos.

A Escola de Música “Carlos Viganó”,  vislumbrada por  um dos jurados, durante as fases eliminatórias, há quatro décadas, concretiza-se em 2013.

Era o músico flautista Celso Woltzenlogel,  emocionado, pois, diante dele,  estava 
- “uma banda que poderia cumprir perfeitamente o papel de uma escola de música em Araras”.

Era também o sonho do maestro Paulo Russo a se concretizar.

Batalhador, este, incansável, desde os primórdios do século XX, criava curso para piano, arregimentava jovens para compor bandas diversas, transformava adolescentes em verdadeira plêiade de músicos os quais, em tempos modernos, vêem no legado a continuidade de um a inspirar outros tantos.

Cria-se então a Escola de Música Carlos Viganó,  com o objetivo de formar músicos para as corporações vindouras.

Assim é que, não há como separar o Álbum de seus personagens, protagonistas que enredaram o tecer dos registros elencados,destas co-cooperadoras da obra, testemunhas dos bastidores.


Se de um lado o escritor/historiador Nelson Martins de Almeida (foto) entre registros, apontamentos e notas amealhou toda a gama de informações possíveis para compor este trabalho, de outro, Carlos Viganó, veterano em atividade bandística, pode ultrapassar décadas,  aprender com seus maestros, ousar a batuta, fazer escola, emprestar o nome à Escola e ao Álbum das Bandas, em uníssono a tantos nomes que o compõe – separação impossível.




E, num momento festivo, nestes quarenta anos decorridos entre 1977 e 2017, as organizadoras entregam a obra que demandou anos de pesquisa, paixão e envolvimento, como num concerto a quatro mãos harmoniosamente executado.

Legado este que se espera continuidade de propósito, uma vez que o trabalho há que se perpetuar através dos que a frente segue.

Que a este breve encontro outros tantos possam vir somar, porque ao leitor o cenário se mantém aberto. Gavetas possam ser abertas. Caminhos outros possam ser percorridos. Porque a História não se permite ponto final. Cabem-lhe as reticências.

A nós, até aqui pudemos chegar e ao entregar este Documentário Histórico sobre as Bandas de Araras em forma de álbum, também podemos nos expressar:

“vivemos o Álbum, durante todo esse tempo, em sua plenitude, agora o Álbum, não há como negar, vive em nós”.

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As Organizadoras

INAJÁ MARTINS DE ALMEIDA


Nasceu em Rio Claro em 1950, momento em que o pai Nelson Martins de Almeida editava o Álbum de Rio Claro. Na capital paulista faz seus primeiros estudos e, na adolescência, junto aos pais e irmão, volta a residir no interior; desta vez Araras e São Carlos; nesta última gradua-se em Biblioteconomia e Documentação, título este que lhe facultaria desenvolver inúmeros trabalhos, em bibliotecas públicas, privadas e universitárias. Os livros a levariam a projetos de implantação de bibliotecas e às salas de aulas em dias atuais.   O gosto e o prazer por livros, leitura, música e artesania, vieram pelos pais que desde cedo a conduziria às linhas – dos livros – pelo pai; das agulhas, pela mãe Dalila Salviato de Almeida, ambos nascidos em terras ararense.
A música lhe fora incutida desde o ventre materno, quando o pai, hábil e amante da divina arte, envolvia a bebê em enlevos musicais. E crescia a menina a se aplicar ao piano, estudo que por algum tempo lhe faz conhecer o universo da teoria, dos compassos, das melodias a dedilhar, ora ao violão, ora ao piano e teclado. Mas não lhe tornaria estudante regular: entre idas e vindas não se completou o estudo, mas jamais a fez apartar do instrumento, piano digital, que arrisca em manter presente, dando-lhe como hobby. A música lhe presentearia o filho David, a nora Patrícia – Musicoterapeutas – a neta Rafaela. Na editoração, seus primeiros passos quando a organizar, junto à prima Matilde este ensaio em forma de documentário histórico, que o pai a ela deixa como legado maior por uma existência entre livros, história e memórias que o tempo perpetua em edição.       

MATILDE APARECIDA SALVIATO VIGANÓ


Nasceu em Araras, em 15 de outubro de 1955. Filha de Carlos Viganó e Olga Salviato Viganó. Formada em Ciências Sociais, com especialização em Sociologia. Trabalhou durante 25 anos na Prefeitura Municipal de Araras.
Não exerceu a profissão de Socióloga, mas sempre aplicou seu conhecimento em suas atividades profissionais, em trabalhos voluntários.
 Hoje, aposentada, tem seu tempo dividido entre trabalhos voluntários e estudo de música. No trabalho voluntário, procura ajudar com trabalhos manuais – tricô e crochê, arte manual que aprendeu com sua mãe.
Cresceu ouvindo seu pai tocar. Estudou violão clássico por 7 anos, depois teclado. Passou o tempo, e desde 2014 voltou estudar música, agora piano, instrumento encantador que preenche  momentos livres.

O encontro com a prima Inajá lhe fora interessante e desafiador. As duas tinham algo em comum: o parentesco próximo, o envolvimento com a divina arte, os pais. De um lado, o pai, Carlos Viganó e seu longo percurso na arte bandística em Araras, de outro lado o tio, Nelson Martins de Almeida, Historiador de Araras, que parte aos 94 anos, mas deixa inédita obra sobre as Bandas da cidade de Araras. Pronto, formava-se assim dueto que, em uníssono passam a organizar e co-autorar – o Álbum das Bandas de Araras – Documentário Histórico.

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Artigo de Inajá Martins de Almeida, publicado no Jornal Tribuna do Povo - caderno  Espaço Arte em 29 de abril de 2017 - jornalista Rebeca Petrucci



segunda-feira, 5 de junho de 2017

BIBLIOTECA MUNICIPAL MARTINICO PRADO - ARARAS


Sobre o projeto arquitetônico e a formação da Biblioteca Municipal Martinico Prado:
O projeto da Biblioteca foi desenvolvido pelo arquiteto Giancarlo Palanti junto à construtora Alfredo Mathias.
fonte: http://vitruvius.es/revistas/read/arquitextos/03.031/722

Instalada em 1947, funcionou até 1954 no prédio do grupo escolar Cel. Justiniano Witaker de Oliveira. A sede própria foi viabilizada graças ao empenho do casal Fábio da Silva Prado e Renata Crespi Prado.


O edifício assim como a praça Narciso Gomes onde a biblioteca foi construída foram inaugurados em 1954. A Biblioteca passou por uma obra de restauração em 2002.



Para a inauguração da Biblioteca, o Dr. Hermínio Ometto preparou um discurso em cujas palavras transparecem o idealismo, a determinação e a visão de vida e futuro de um homem verdadeiramente à frente de seu tempo:


"É sábio empregar riqueza em livros e bibliotecas, pois é dinâmica do futuro e certeza de poder semeado. Este ato representa sabedoria em valorizar o que, de fato, tem valor. Valorizamos o alimento, como base da vida; valorizamos, ainda, os bens materiais. 

Sabemos, todavia, que em valorizar as coisas do espírito reside a verdadeira e mais perfeita ciência. É na arte, no conhecimento, na literatura, que encontramos os bens maiores, bens que, por sua espiritualidade, são os verdadeiros representantes nas manifestações mais elevadas de Deus."


[Excerto do discurso de inauguração da Biblioteca Municipal Dr. Martinico Prado, 25 jun. 1952, Acervo da Biblioteca]

Muitas informações sobre a história de Araras podem ser encontradas no blog do Historiador Nelson Martins Almeida:
http://nelsonmartinsdealmeida.blogspot.com.br/

fonte e consulta em 05.06.2017
https://www.facebook.com/BibliotecaMunicipalMartinicoPrado/posts/466627400113829

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RETALHOS DE UMA BIBLIOTECÁRIA

por Inajá Martins de Almeida


Era aos meus olhos como estar num conto de fadas. Eu que acostumada fora aos livros, dispostos em amplas estantes, na sala de nossa casa, o qual sentia verdadeira paixão em organizá-los em ordem de assunto: dicionários, enciclopédias, romances, história, geografia, obras gerais – método que eu mesma desenvolvera mediante sentidos práticos dos meus doze anos – agora posso me encontrar numa biblioteca de verdade.

Estou então na década de sessenta, quando no auge dos quinze anos, os livros fazem-me companhia constante – não diferente de hoje, quando me encontro em pleno século XXI, a frente de um computador, a compor retalhos de minha memória, entre livros.

Não eram poucas as estantes, dispostas em corredores amplos, ventilados, iluminados; majestosa construção ocupava parte do quarteirão, entrecortada por jardins ricamente ornamentados por flores e árvores, cuidada com aprumo e reverência como um templo do saber o deve ser.

Era obrigatoriedade, quando a passeio, visitá-la. Nessa época morávamos na capital paulista e, uma vez que nossa biblioteca particular supria todas as minhas necessidades escolares, a falta desses espaços, não ocupavam o meu pensar.   

Nas escolas (décadas de 50 e 60) o que podíamos encontrar eram armários dentro das próprias salas de aula, com livros didáticos, de histórias infantis, infanto-juvenis e alguns romances, os quais podiam ser revezados entre os alunos nos finais de semana – era um deleite apoderar-se desses livros, somente para nós. Era diferente. Ainda que tivéssemos livros em casa, o sentimento para com esses, era inexplicável. Muito tempo após poderia entender!

Os livros adotados pelos professores para as matérias (português, história, geografia, e outras mais) indicados e adquiridos pelos alunos, eram portados em bolsas, quando dia e matéria o exigiam. Assim, o conhecimento nos era passado por meio de intermináveis ditados, leitura através dos textos dos autores e livros recomendados, comentários ilustrativos, poucos, feitos por professores que, algumas vezes se apresentavam além do que a matéria exigia. Por serem raros esses, tornaram-se inesquecíveis, brilhantes, dignos de jamais serem esquecidos.

Meu professor de francês – no antigo ginásio – falava-nos de metrô em sua cidade – Paris – o que ainda nos era impossível vislumbrar. Dizia que a cidade de São Paulo estava atrasada nessa construção, o que acarretaria sérios problemas futuros. Realmente foi o que pude verificar na década de 70 e nas subseqüentes, quando então temos de conviver com esses transtornos constantes.

Salas específicas para bibliotecas? Raras! Apenas em grandes colégios podiam ser encontradas. Claro a Mário de Andrade já existia, mas a idade e a distância não me permitia freqüentá-la. Muitos anos após, transitar livremente por suas salas, apreciar sua bela arquitetura, mesmo pela calçada apenas, fora-me permitido, quando passo a trabalhar às suas imediações – centro paulistano.

Contudo, alegrávamos com aquilo que estava ao nosso alcance. Não podíamos ao menos imaginar o mundo informacional! Utopia aos nossos sentidos.

Ainda que possuísse intimidade com os livros, encantava-me, agora, com a impecável organização e a delicadeza daquela que se mantinha a frente daquele verdadeiro arsenal de conhecimento, orientando a quem a ela se dirigisse. Estava eu numa biblioteca de verdade. Eu mesma não saberia por onde começar. Orgulhava-me pelas coleções que dispúnhamos, quando percebo ser um grão de areia apenas, no universo literário que ali, bem a minha frente se apresentava. 

Ao mesmo tempo em que uma alegria imensa tomava conta de meu viver, era acometida por uma grave apreensão: jamais poderia me apossar de todos aqueles livros (seria impossível!). E realmente, títulos não deixaram de se proliferar nos quatro cantos; bibliotecas, salas de leituras passaram a ser alvo de projetos; novos escritores vieram ocupar cenários editoriais; a internet abriu espaço para anônimos desfilarem seus dotes literários. A era da informação tornou a biblioteca virtual. Trouxe a biblioteca para dentro de nossos lares.    

Naquela época, não me importava com posições, títulos, formação profissional, contudo, respeitava sobremodo aquela presença impoluta, senhora de fino trato, esposa do diretor do ginásio estadual da cidade, profunda conhecedora do vasto acervo da biblioteca – aquele espaço era-lhe familiar, muito tempo depois viria eu mesma, poder entender aquela atitude.

Porém, por fração de segundo, naquele lugar, podia voltar aos momentos dedicados à organização das estantes de livros em minha casa. Sentir o deleite e prazer na ordenação, ainda que sem explicação alguma para tal arranjo, e ver invertida minha posição - de leitora para bibliotecária. Era a biblioteca que aos poucos penetrava minhas entranhas e se consolidava dentro de mim, ainda que de forma inconsciente.

Estava na adolescência e realidade com ficção se misturava num rodamoinho que muitas vezes davam verdadeiros nós em minha cabeça. Os livros bailavam, contavam histórias, falavam de amores, também de dores. Aos poucos forjava meu interesse, minha paixão, minha convicção por livros, leitura e bibliotecas. Logo buscaria minha formação acadêmica a qual me tornaria a profissional na área em que, sem o perceber estava me fortalecendo desde a meninice.

Livros e leituras formariam o acervo na biblioteca da minha memória – retalhos amealhados pelo caminho percorrido - ao ponto de me ver a declinar neste momento que: entre livros nasci, entre livros me criei, entre livros me formei, entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, por paixão, por convicção.

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